• Westh Ney Luz

Módulos de Estruturação Musical - prof. Ricardo Aigner

Uma experiência pedagógica que tem trazido bons frutos na Licenciatura em Música da FABAT é a disciplina Módulos de Estruturação Musical (MEM). Normalmente ensinadas como matérias separadas, Percepção Musical, Harmonia, Contraponto e Análise são integradas e desenvolvidas sob um mesmo planejamento. O que motivou esse tipo de abordagem é a constatação de que, na experiência do fenômeno musical, os conteúdos relativos às disciplinas citadas são vivenciados simultaneamente. A divisão disciplinar clássica favorece o aprofundamento em cada matéria, mas não garante uma visão holística do fazer musical. Em muitas situações, os alunos que estudam estes conteúdos separadamente, não conseguem “juntar as peças”, ou seja, não veem que na música, estes conteúdos estão emaranhados e articulados numa síntese, cuja análise precisa acionar todos os conhecimentos disponíveis em cada uma das matérias tradicionais, em tempo real.

Mas como tornar isso possível, na prática? Tomemos um exemplo. Vamos partir de uma melodia de Cacilda Borges Barbosa, destinada à pratica do solfejo, num nível inicial:


Após o reconhecimento das informações fundamentais (indicação de compasso, tonalidade, reconhecimento das notas, etc), passa-se ao solfejo do trecho. Desejamos formar músicos fluentes. Para tanto, é preciso que a fluência esteja presente desde os primeiros passos. Para evitar uma leitura mecânica, não musical, o aluno precisa estar ciente da proposta musical da compositora na melodia. Compositores criam música com um sentido musical. Cabe ao intérprete desvendá-lo. Para tanto temos as ferramentas da Análise. No nosso caso, assim que a melodia começar a surgir nas vozes, já é momento de trazer ao processo a estrutura da peça. Os alunos são questionados sobre momentos de repouso, de modo a perceber divisões internas na estrutura melódica. Uma vez percebidas estas divisões, e tendo executado o trecho fluentemente, os alunos podem já entrar em contato com conceitos específicos da Análise, como frase e membro de frase. Observemos que os conceitos somente são postos após a música ter sido vivenciada, do contrário serão termos vazios, sem referência concreta, material. Podemos chegar à seguinte análise:


Uma nova etapa de apropriação do texto musical pode ser a criação de uma segunda voz. Pede-se aos alunos que escolham um som para “combinar” com as notas de apoio (repouso) da melodia (cadências e semi-cadências). A escolha deve ser feita por tentativa, dando liberdade para que os alunos discutam o efeito de cada possibilidade. Em razão da prática musical corrente (tonal), os alunos tenderão a escolher os intervalos considerados consonantes pela prática do contraponto acadêmico (uníssono/oitava, terças, quintas e sextas). Mas toda tentativa julgada adequada pelos alunos, mesmo que não permitida pelas regras acadêmicas, deve ser levada em consideração. Vejam uma possível realização (os numerais equivalem ao intervalo):



A partir desta experiência, os alunos podem ser iniciados nos procedimentos do contraponto acadêmico, tendo sempre o cuidado de relacionar os conceitos e regras à prática musical. Ao longo do processo, podemos chegar à realização de uma nova melodia (contraponto), com um contorno independente em relação à melodia original (cantus firmus), sendo esta nova melodia uma peça musical satisfatória em si mesma, ao mesmo tempo em que “soa bem” com a melodia original. Teremos chegado com isso ao objetivo expressivo da escrita polifônica. Uma possível realização seria assim (a melodia original – cantus firmus - está escrita uma oitava abaixo, na clave de fá):



Em muitos momentos será necessário aprofundar conhecimentos em Harmonia, Contraponto, Análise e Percepção Musical, dedicando tempo e atividades especificamente a determinados conceitos e tarefas. Mas nesse momento, o aluno já terá aprendido a relacionar qualquer nova técnica à expressão e interpretação musicais. Cabe ao professor cuidar para que todo o conteúdo seja integrado e aplicado assim que possível aos processos de execução, composição e apreciação da música.

Ricardo Aigner - Ministro de música, compositor e arranjador. É mestre em música e leciona na FABAT/Seminário do Sul na área de estruturação musical. Desenvolve trabalhos com regência coral, orquestra e na elaboração de arranjos vocais e instrumentais. mestrado em Música pela (UNIRIO). É professor de Ensino Fundamental no município de Itaboraí, RJ. Membro da Primeira Igreja Batista em Alcântara, RJ









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